PATRIMÔNIO NATURAL

A Prefeitura Municipal de Lima Duarte, por meio do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, apresenta ao IEPHA/MG, no exercício de 2027, o Dossiê de Tombamento do Conjunto Paisagístico Pedreira do Souza, reafirmando seu compromisso com a preservação, a valorização e a transmissão deste patrimônio natural e cultural às futuras gerações.
O Dossiê de tombamento tem por finalidade a preservação do Conjunto Paisagístico, situado no município de Lima Duarte/MG, importante referencial natural, simbólico e cultural, reconhecido pela sua relevância histórica, ecológica e paisagística. O local teve sua proposta de proteção discutida e amadurecida no âmbito do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Lima Duarte, diante do reconhecimento da necessidade de resguardar suas formações rochosas singulares, dentre as quais se destaca a conhecida “Pedra que Equilibra”, que se tornou marco simbólico para a identidade local.
O documento elaborado tem como objetivo confirmar e reafirmar os valores paisagísticos, turísticos, ecológicos e científicos do Conjunto Pedreira do Souza:
Paisagístico, pela imponência de suas formações rochosas e a beleza cênica peculiar da região;
Turístico, pela atratividade de suas paisagens associadas ao Rio Grande e à proximidade do Parque Estadual do Ibitipoca, consolidando-se como potencial para visitação e atividades de lazer;
Ecológico e científico, pela relevância da sua geodiversidade, que reúne formações geológicas, solos, minerais e fenômenos naturais fundamentais para a compreensão do meio físico e o equilíbrio ambiental.
O povoado de Souza do Rio Grande, situado no município de Lima Duarte – MG, representa um autêntico testemunho da ocupação rural da Zona da Mata e das franjas da Serra da Mantiqueira. Integrante do distrito de São Domingos da Bocaina, a localidade consolidou-se ao longo do século XIX, impulsionada pela expansão da pecuária leiteira e pela agricultura de subsistência que floresceram após o declínio da mineração no estado. O nome é uma herança direta da família Souza, uma das linhagens pioneiras que se estabeleceram na região, unida à importância geográfica do Rio Grande, que corta a localidade e historicamente serviu como eixo de subsistência e divisa territorial.
Durante décadas, Souza do Rio Grande funcionou como um ponto estratégico de apoio para o tropeirismo. As trilhas que hoje atraem turistas eram as rotas fundamentais para o escoamento de produtos e o trânsito de viajantes que cruzavam as montanhas mineiras em direção ao Rio de Janeiro. Esse isolamento geográfico relativo permitiu que a comunidade preservasse traços culturais e religiosos, onde a Igreja de Santa Ana, padroeira do lugar, realiza festividades no mês de julho, transformando o pacato povoado em um centro de celebração, com leilões, música regional e a gastronomia típica do fogão a lenha.
Atualmente, o Souza do Rio Grande está substituindo a vocação puramente agrícola pelo turismo de experiência e aventura. Sua proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca faz com que o local seja um refúgio para quem busca a beleza natural da Mantiqueira, sem o agito das vilas mais badaladas. Ciclistas de montanha, jipeiros e amantes do ecoturismo encontram, no Rio Grande e nas fazendas centenárias da região, um cenário de paz, hospitalidade mineira e conexão direta com a história viva do interior de Minas Gerais.
A crista denominada “Pedreiras do Souza” é formada por rochas quartzíticas, um tipo de rocha metamórfica composta principalmente por cristais de quartzo cimentados entre si por uma solução mineral, composta principalmente por sílica ou o óxido de ferro. São formadas ao longo do tempo, principalmente pelo efeito da pressão e altas temperaturas em rochas sedimentares como arenitos. As Pedreiras do Souza estão caracterizadas como cristas quartizíticas, formações geológicas proeminentes, devido a sua resistência a erosão.
As formações se encontram às margens do Rio Grande, guardam cavidades e deformações erosivas ocasionadas pelo curso d’água, que se destacam incrustadas em baixo relevo nas rochas, testemunhando um passado distante onde os afloramentos rochosos atuais se encontravam formando cachoeiras e corredeiras em antigos leitos do Rio Grande, que ao longo dos milênios erodiram e desenharam a geomorfologia da região, deixando exposta a crista hoje denominada Pedreiras do Souza e o complexo de Pedreiras das Tartarugas, formações rochosas vizinhas localizadas na margem oposta do rio, já no município de Andrelandia – MG.
Fonte: Dossiê de Tombamento do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural


