OBRAS BASEADAS NA NATUREZA

A professora e artista autodidata, Maria das Graças Campos Moliterno, é de Lima Duarte e nasceu em 1949.
Ela afirma não ter nenhuma tradição acadêmica na área de artes e considera que suas obras “são atos de expressar a conexão com a natureza e com o meio ambiente”.
Maria conta que, aos 11 anos, fascinada com a vontade criar, concretizou sua primeira obra. Nessa época, não tinha tela e nem tinta, apenas um lápis para fazer o esboço. Então, conectada com a natureza, recorreu a terra, argila, cascas e folhas de arvores e alguma tinta de papel de seda, para dar vida à obra.
Mais tarde, deu continuidade com as artes visuais, sendo que a argila nas mãos virou cerâmica, usada nas esculturas de um Leão, Cristo, Taj Mahal, Coliseu e paisagens rurais.
Por volta de 1965, no ginásio, a menina Maria, então com 16 anos, conheceu a célebre frase atribuída a Lavoisier: Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Esse pensamento foi além da sala de aula, marcou sua adolescência e continua presente até hoje em suas obras. “Em cada uma, observo como tudo pode se transformar em arte: a terra, a areia, o caulim, a argila, vira a cor natural para as telas, os quadros. As pedras se transformam e ganham feições de olhos, sorrisos e gestos”, ressalta. Hoje, com mais de 100 obras realizadas, ela percebe com clareza que, na arte, também nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Para Maria Moliterno, as pinturas em telas e esculturas podem ser consideradas uma expressão artística porque nelas estão expostos algo que está querendo dizer. “É a chamada subjetividade do artista, que reflete as emoções, pensamentos e experiências pessoais e o que elas representam pra mim”, explica. Os temas prediletos da artista limaduartina são tudo que envolve a natureza, como a beleza natural exuberante de Ibitipoca, as cachoeiras, a fauna e flora.
Todas as suas obras são realizadas com material colhido da natureza, como pedrinhas, areia, terra, caulim, argila. Os musgos, a vegetação, ela criou uma técnica com o pó da pedra, para concretizar e aproximar ao máximo da realidade. Maria nunca fez cursos na área artística. Mas já expôs seus trabalhos na Exposição Agropecuária e no “Novos Talentos de Lima Duarte”, onde recebeu homenagem com certificado do então Prefeito, Arzenclever Geraldino Silva, assessorado por Cláudia de Lima Cunha Carvalho. Já vendeu algumas obras através de indicações de amigos, para Belo Horizonte, Curitiba e Austrália. Todas essas obras foram inspiradas na fauna, flora e meio ambiente de Ibitipoca.

