AS QUATRO FACES DA MATRIZ

A matriz de N.S. das Dores é considerada pelo IBGE o marco zero da cidade de Lima Duarte, por sua posição de destaque na história e geografia do sitio urbano da cidade.
Ao longo do tempo, o prédio da Igreja sofreu alterações, cada uma gerando uma face e forma, eternizadas em fotografias e nas memórias.
Da face mais antiga, a que evoluiu pelo menos de 1808 a 1890, não se tem nenhuma imagem registrada conhecida, apenas descrições genéricas, que a desenham como templo de madeira, o que permite apenas determinar sua estrutura, sem detalhamentos.
A primeira face conhecida por imagem é a do templo inaugurado no tempo do Padre Pedro Nogueira da Silva.
Obra erguida sob o comando e risco do Mestre Construtor alemão naturalizado brasileiro Luiz Klotz, o templo é uma jóia de alvenaria em tijolos aparentes, coberto com telhas cerâmicas de capa e canal assoalhado em madeira de lei.
A benção da nova Matriz foi solenemente realizada pelo Bispo Coadjutor de Mariana Dom Silvério Gomes Pimenta, em 20 de junho de 1891.
Sua construção assinala a passagem de vila sede de distrito para vila sede de município, manifestada na imponência de suas linhas e no bom gosto empregado em sua ornamentação, típicos da época. Essa face permaneceu até 1939.
Em 1939, o velho templo de 1891 sofreu nova alteração em sua face e forma. O pároco de Lima Duarte na época, Padre Sátiro Costa, auxiliado pela Comissão de Fábrica e supervisão de D. Justino José de Santana, executou obras de adequação e melhoria do espaço sagrado.
Nessa época, as paredes em alvenaria de tijolos aparentes foram rebocadas, abriu-se arcos nas paredes laterais da capela mór e foram criados os altares do Senhor dos Passos, Nossa Senhora da Conceição e o do Coração de Jesus. A igreja recebeu pinturas murais e parietais, executadas pelo Mestre Pintor José Gomes de Oliveira, também conhecido como Juca Paim ou Zé Pintor.
O telhado, composto de telhas capa e canal foi todo trocado para telhas tipo francesas numa das águas da nave sido pintadas as palavras Lima Duarte em maiúsculo, como forma a permitir a localização dos pilotos dos pioneiros aviões a cruzar o espaço aéreo do território nacional. O templo remodelado, foi bento em missa solene em 30 de dezembro de 1939, pelo então bispo de Juiz de Fora Dom Justino José de Santana. As obras, contudo se prolongaram na parte ornamental interna, até o ano de 1942.
A Matriz seria alvo de nova reforma na década de 1960. O Cônego João Severo Ramos de Oliveira deu início aos estudos de uma nova matriz, em meados de 1950 a ser erguida no estilo Art Decó. Sendo transferido em 1961, não concluiu seu intento, encargo que passou ao novo pároco Padre Bernard Antoine Coulange.
Este, cumprindo determinação de Dom Geraldo Maria de Morais Penido, deu logo início das obras, inspirado pelas novidades implantadas pelo Concilio Vaticano II. O velho templo foi demolido a partir do arco cruzeiro, com retirada do retábulo mór e retábulos colaterais e capela mór, sendo ampliado na extensão. O piso foi trocado de assoalho para ladrilhos hidráulicos, o forro da nave foi executado em @Eucatex e o presbitério recebeu marmorite. Um altar de pedra foi instalado, com um grande crucifixo ao fundo, tendo a imagem da padroeira sido abrigada num nicho. O telhado de telhas tipo francesas foi trocado por telhas de cimento amianto. As janelas de madeira foram trocadas por basculantes. Uma capela foi construída ao lado direito, abrigando o Santíssimo Sacramento, sacristia e banheiro. Na torre foi eliminada a ponteira piramidal, ficando apenas uma cruz. Essa versão foi benta solenemente por D. Geraldo Maria de Morais Penido em 05 de abril de 1963.
Após essa reforma drástica e traumática, ainda hoje motivo de controvérsias, a igreja sofreria novas intervenções até ganhar a forma que hoje ostenta.
Ao final dos anos 1980, nova reforma tem início, prolongando-se nos anos seguintes. O telhado em telhas de cimento amianto é trocado para telhas galvanizadas. O forro em @Eucatex, corroído de cupins é trocado por madeiramento em angelim pedra. Novos bancos em angelim substituem os antigos, reaproveitados nas capelas do Rosário. Os basculantes são trocados na fachada por painéis vítreos colorizados. Lustres e painéis com imagens sacras são acrescentados na nave. Na torre retira-se a cruz e se instala uma nova ponteira piramidal encimada por uma cruz. Ao final, um salão de reuniões e catequese é erguido ao fundo do templo, contiguo ao presbitério.
São essas as quatro faces da velha Matriz!
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