RISCOS PSICOSSOCIAIS GANHAM PROTAGONISMO NA NOVA NR-01: O QUE AS EMPRESAS PRECISAM FAZER AGORA

A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), que trata das disposições gerais e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), trouxe um avanço significativo e necessário para o mundo do trabalho: a inclusão “mais clara e objetiva dos riscos psicossociais no processo de gestão de riscos”.
Por muitos anos, a segurança do trabalho esteve fortemente concentrada nos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. No entanto, o cenário atual demonstra que fatores como estresse, pressão excessiva, assédio moral, jornadas exaustivas e conflitos organizacionais impactam diretamente a saúde dos trabalhadores, a produtividade e até mesmo os resultados das empresas.
O QUE MUDA NA PRÁTICA?
A atualização da NR-01 não trata os riscos psicossociais como algo isolado ou opcional. Eles passam a fazer parte obrigatória do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), devendo ser identificados, avaliados e controlados com o mesmo rigor aplicado aos demais riscos ocupacionais.
Isso significa que as empresas “precisam ir além de ações superficiais ou pontuais”. Não se trata apenas de aplicar questionários ou promover palestras esporádicas, mas sim de estruturar um processo técnico, contínuo e integrado de gestão.
O QUE SÃO RISCOS PSICOSSOCIAIS?
Os riscos psicossociais estão relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerido e executado. Entre os principais fatores, destacam-se:
Exigências excessivas de produtividade e metas irreais
Falta de autonomia ou controle sobre as atividades
Comunicação ineficiente ou inexistente
Ambiente organizacional hostil ou conflituoso
Assédio moral e práticas abusivas
Insegurança no emprego
Jornadas prolongadas e ausência de pausas adequadas
Esses elementos podem desencadear adoecimentos como ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros transtornos relacionados ao trabalho.
A RELAÇÃO COM A NR-17 (ERGONOMIA)
A NR-17 já trazia, ainda que de forma indireta, a necessidade de considerar aspectos organizacionais e cognitivos do trabalho. Com a nova NR-01, há uma integração mais robusta entre as normas, fortalecendo a análise ergonômica do trabalho (AET) como ferramenta essencial para identificar e tratar riscos psicossociais.
Ou seja, não basta avaliar postura e mobiliário — é necessário compreender como o trabalho afeta a mente e o comportamento do trabalhador.
COMO AS EMPRESAS DEVEM SE ADEQUAR?
A adequação exige uma abordagem estruturada e técnica. Entre as principais ações recomendadas estão:
1. Levantamento e reconhecimento dos riscos
2. Avaliação dos riscos
3. Implementação de medidas de controle
4. Monitoramento contínuo
ERRO COMUM: REDUZIR A UM QUESTIONÁRIO
Um dos principais equívocos das organizações é acreditar que a aplicação de um questionário resolve a questão dos riscos psicossociais. Essa prática, isoladamente, não atende às exigências legais nem à efetividade da gestão.
O questionário pode ser uma ferramenta complementar, mas jamais substitui a análise técnica, a observação do ambiente real de trabalho e o envolvimento dos trabalhadores no processo. Por isso a importância da integração com a NR-17 (Ergonomia)
IMPACTOS PARA AS EMPRESAS
Ignorar os riscos psicossociais pode gerar consequências sérias:
·Aumento de afastamentos previdenciários
·Queda de produtividade
·Processos trabalhistas
·Danos à imagem da empresa
·Ambientes organizacionais adoecidos
Por outro lado, empresas que investem na gestão adequada desses riscos colhem benefícios significativos, como melhoria do clima organizacional, maior engajamento, retenção de talentos e aumento da eficiência operacional.
EM RESUMO
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-01 representa uma evolução importante na legislação brasileira de segurança e saúde no trabalho. Mais do que uma obrigação legal, trata-se de uma oportunidade para as empresas modernizarem sua gestão e cuidarem de forma integral de seus trabalhadores.
O desafio agora é sair do campo teórico e aplicar, na prática, uma gestão de riscos mais humana, estratégica e eficaz.
“Afinal, ambientes de trabalho saudáveis não são apenas mais seguros — são também mais produtivos e sustentáveis.”
Escrito por Cristiano Costa,
Técnico em Seg. do Trabalho, Ergonomista, Gestor e Consultor em Qualidade, Segurança, Meio Ambiente, Saúde Ocupacional e Gestão da saúde, segurança e bem-estar psicológico no trabalho certificado nas ISOs 9001; 14001; 45001 e 45003.



