FESTA DE SANTO ANTÔNIO

Nos dias 13 e 14 de junho, Conceição de Ibitipoca recebeu cerca de 3 mil pessoas ao longo de dois dias de programação da Festa de Santo Antônio. As pousadas lotaram, comércios transbordaram, as ruas da vila ficaram pequenas. Vieram pessoas de cidades vizinhas, turistas que escolhem essa data no calendário com meses de antecedência, casais que trocaram o Dia dos Namorados por fogueira e forró na serra. E moradores que esperaram o ano inteiro por esse encontro.
O sábado começou com uma conversa: o Café com Santo Antônio reuniu moradores e visitantes numa roda de fé, memória e história. O Padre Miron e a historiadora Danielle Arruda conduziram um bate-papo generoso, sem pressa. A história de Ibitipoca contada por quem a conhece por dentro, recebida por quem chegou de fora querendo entender o que torna esse lugar diferente.
A Festa de Santo Antônio tem raiz na Igreja. No dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, a reza do terço na Capela do Rosário marcou o décimo terceiro e último dia da trezena, em memória ao Cônego Carlos Otaviano Dias, o padre que acendeu a primeira fogueira em 1907. Logo depois, a procissão saiu pela vila, seguida da celebração da Santa Missa na Igreja Matriz, presidida pelo Padre Miron de Oliveira Messias. A noite se encerrou com a tradicional queima da fogueira e a chuva de balas para as crianças.
No domingo, a Santa Missa presidida pelo Padre Cássio Barbosa encerrou as celebrações religiosas da festa, fechando o ciclo de fé que sustenta tudo o que acontece na praça.
Semanas antes da festa, 134 alunos da Escola Municipal Padre Carlos participaram de oficinas com a artista Andrea Wogel. Garrafas PET que seriam descartadas viraram balões, cor, arte e pertencimento. Durante a festa, esses balões foram expostos num espaço pensado exclusivamente para isso e se tornou um dos cenários mais fotografados do evento. As pessoas paravam, fotografavam, sorriam.
À tarde, os cavaleiros chegaram, percorreram a vila e seguiram para a bênção tradicional. Um momento simples e sentido, que une devoção e tradição numa só parada. À noite, a fogueira foi acesa. Com a chama alta e a serra escura ao fundo, a praça mostrou sua face mais bonita. Gente de todo lugar, todos no mesmo espaço, em paz. A quadrilha que veio depois tem um segredo que só quem esteve lá entende. Dançar quadrilha em Ibitipoca, com aquela praça, aquela serra, aquele povo, é completamente diferente.
No domingo, a Sociedade de São Vicente de Paulo serviu sua feijoada beneficente e movimentou a festa também pela manhã, com toda a renda revertida para o Lar São Vicente de Paulo, albergue de Lima Duarte. À noite, o Baile da Fogueira encerrou os dois dias com o som que embalava os bailes de antigamente. Daquele que faz o corpo se mover antes de pensar.
A Festa de Santo Antônio de Ibitipoca não é um evento que acontece pra quem passa. É uma celebração que pertence a quem fica, a quem volta e a quem um dia vai descobrir que existe um lugar em Minas Gerais onde junho tem um sabor diferente. Em 2026, esse lugar provou mais uma vez que sabe receber. E que a tradição, quando cuidada com carinho, não envelhece. Ela cresce.
Realização: Coletivo Despersonificado Festa de Santo Antônio. Viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc, PNAB, Edital nº 11/2024, ID 16203/2024.
Apoio: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Governo de Minas. Realização: Ministério da Cultura e Governo Federal.
Fonte: Equipe Coordenadora


