1925 – CEM ANOS DA CHEGADA DO TREM A LIMA DUARTE 2025 – FATORES QUE ATUARAM NO CONTEXTO DA FERROVIA
Em 1873 foi aprovada na Assembleia Provincial de Minas Gerais a primeira concessão de ferrovia para a região onde está hoje Lima Duarte. A ligação da Mata com o Sul de Minas era prioridade para o estado, pois se tratava de suas duas regiões mais ricas e desenvolvidas. Outras concessões foram aprovadas, também estaduais, porém nenhuma obteve êxito.
Em 1910, o Governo Federal encampou e tornou federais várias companhias ferroviárias, concessões estaduais e projetos de ligação. O ramal de Lima Duarte, deixa então de ser uma obra estadual e passa a concorrer por verbas e créditos no Orçamento da União, com outras tantas obras pelo país.
A crise do café, à partir de 1929, diminuiu a importância da Zona da Mata e o Sul de Minas, o que implicou, por tabela, em perda de poder político nas duas regiões. Com menos representação política, menos verbas, retardando o andamento das obras.
Com a ascensão de Belo Horizonte e a decadência de Juiz de Fora como principal cidade do estado de MG, o quadro de menor representação política e econômica se acentua, diminuindo em importância a ligação ferroviária Juiz de Fora – Bom Jardim.
Por outro lado, as bancadas federais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro atuaram fortemente para que a ligação não fosse completada, em vista dos prejuízos que teriam, já que os trens, uma vez concluído o ramal, não beneficiariam mais seus estados, com taxas aduaneiras, movimento de passageiros, cargas e toda a infraestrutura beneficiada nos deslocamentos, como hotéis, pousadas, restaurantes e comércio em geral.
Iniciada a implantação do ramal em bitola métrica, como demais que deveria interligar, foi logo alterada para bitola larga, fazendo com que a ferrovia perdesse sua função original, tornando-se apenas um galho da Linha do Centro, quando deveria unir a métrica da Central do Brasil, à Leopoldina e a Estrada de Ferro Sapucaí (depois Rede Mineira de Viação).
No pano de fundo, as duas grandes Guerras Mundiais (1914 a 1918 e 1939 a 1945), também interferiram no contexto do Ramal de Lima Duarte, provocando paralisações de obras (1917 a 1921 e 1939 a 1945), assim como a Revolução de 1930, que paralisou a continuação das obras além da estação de Lima Duarte e fechou a Parada de Lima Duarte.
Reiniciadas as obras em 1945, num Brasil cada vez mais rodoviário, seguiram em ritmo lento, sofrendo a concorrência de outros ramais que estavam sendo implantados pelo país e a concentração de poder nas zonas Centrais e Metalúrgica de Minas Gerais, alavancadas pelo capital gerado pela exploração e exportação do minério de ferro, que inicialmente escoado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, gerará a Ferrovia do Aço.
Completando o elenco dos fatores que interferiram na implantação do ramal de Lima Duarte, a transferência da capital da República do Rio de Janeiro para Brasília, em 1960, reduz ainda mais a importância econômica e política da Zona da Mata, tornando a ligação ferroviária cada vez mais sem sentido prático, fazendo com que Lima Duarte abraçasse de braços abertos a BR 267.
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