GINCANA É TEMA DE DOCUMENTÁRIO

O cineasta e turismólogo Alexandre Paolo Delgado Silva lançou, em 30/05, o Documentário Gincana – a emoção. O evento aconteceu no Centro Esportivo Lincoln Moreira Duque, palco da maior festa de Lima Duarte e foi aberto a convidados e público em geral.
Alexandre conta que, em 2019, retornou a Lima Duarte com a intenção de desenvolver atividades profissionais de resgate da identidade limaduartina, através da linguagem audiovisual e promoção do turismo. Decidiu que queria vivenciar as atividades culturais e retornou à Gincana após 15 anos distante. “Durante a realização de uma tarefa que exigia concentração, a torcida da Carniceira explodiu num grito de comemoração e aquela vibração me fez relembrar todas as emoções que a Gincana traz, vividas desde a infância. Elas que me trouxeram reflexões sobre o que motivava tantas pessoas a vivenciarem esse fenômeno tão nosso. Ali decidi que eu precisava falar sobre isso, sobre o que move e comove nessa sinergia e não cabe explicação. Nasceu assim a ideia do documentário.”
Ele explica que seus objetivos com o documentário são de ter uma pequena síntese, através da sua arte, sobre esse universo tão vasto que se tornou a Gincana de Lima Duarte. “Quis mostrar, para nós, limaduartinos, e além daqui, e enaltecer, jogar para cima a maior e melhor festa de Lima Duarte.” Ele quis tentar dar rosto, voz e vez, através da linguagem audiovisual, sempre propondo novas perspectivas de observar o cotidiano, nossa cultura, nossa gente e nossas histórias, “buscando alimentar o sentimento de pertencimento e identidade em todos nós”.
O processo de elaboração do documentário contou com um primeiro contato com gincaneiros que pudessem contribuir com suas emoções e histórias. Mas Alexandre considera que teve pouca receptividade, talvez por ter ficado tanto tempo fora de Lima Duarte e também pelo formato, pouco desenvolvido e utilizado em nossa cidade. Ele formulou um projeto direcionado à Prefeitura, na busca de financiamento via Lei Márcio Ulysses, mas não houve o Edital. A pandemia de Covid-19 paralisou totalmente qualquer movimento e a ideia foi arquivada. Em 2022, após ser desligado da Prefeitura e já no período de flexibilização da pandemia, Alexandre foi retomando aos poucos o contato com alguns gincaneiros, para reacender esse interesse e tentando buscar financiamento. Como entrou para a Comissão Organizadora da Gincana de Lima Duarte, aumentou sua visibilidade e abriu portas junto aos gincaneiros, o que facilitou dar cara ao documentário. A falta de financiamento público e privado foram fatores que inviabilizavam a realização do projeto. No final de 2023, pela primeira vez, houve um edital da Lei Márcio Ulysses e ele foi contemplado.
A pré-produção foi se desenvolvendo com os entrevistados, dos quais a grande maioria é de pessoas que, como ele, consideram que a Gincana é “uma loucura boa”. A produção teve início em 15 /05/2024 e finalizou em 01/07/2024, totalizando 63 bate-papos diretamente registrados, sem antecipação de pautas ou mesmo perguntas provocativas, pois a intenção era captar o desenrolar das emoções, trazendo mais veracidade nos sentimentos que se apresentassem. Alexandre considera que a pós produção foi relativamente demorada, devido ao grande volume do material gravado e a decupagem do que alimentaria esse primeiro produto no formato fílmico.
Antes da apresentação do documentário, Alexandre mostrou o filme Icó – A História de João Valente e Zé Baixinho, que considera o seu divisor de águas profissional e pessoal, por se tratar de uma jornada coletiva de estudantes com vontade de realizar cinema, em 2015, na cidade de Morro do Chapéu, na Bahia, através de uma iniciativa do amigo Aragonez Fagundes. Ele também era estudante de Cinema na UFRB e adaptou uma peça de teatro local para roteiro de cinema e convidou uma equipe de alunos para rodar só na vontade, pois não tinha recursos para pagar equipe técnica e atores. “Com Icó eu entendi o que era ser artista e cineasta de verdade, livre da indústria. Recebemos os aplausos mais sinceros e eufóricos de uma plateia de pessoas simples e apaixonadas no que viram. Está muito mais do que pago. É difícil falar disso sem me emocionar”, ressalta.
Alexandre escolheu o tema Gincana porque ela foi totalmente ressignificada com o que se propôs a ver com novos olhares, ao retornar para Lima Duarte e, principalmente, pelo insight que teve lá na Quadra em 2019. Para o cineasta, sua avaliação final do documentário é de que foi o seu grande exercício de não ser perfeccionista. “Me coloco pessoal e profissionalmente realizado por ter executado o projeto proposto, com todo empenho, dentro do que me foi possível nas condições vivenciadas. Estou muito feliz por ter aberto um diálogo amplo com gincaneiros e não-gincaneiros. Ter feito um produto sobre nós, conosco e para nós, reacender essa identidade e esse pertencimento daquilo que é legitimamente nosso, enquanto limaduartinos.”
Alexandre não vê as principais dificuldades enfrentadas como dificuldades em si, mas como situações do processo. Ele destaca o ainda baixo interesse do poder público na promoção desse segmento artístico como um entrave para novas produções e surgimento de novos cineastas. Sobre apoios na realização do Documentário, o cineasta considera que, se não fossem seus pais, amigos e familiares mais próximos, que o entendem enquanto artista e cidadão, ele teria protelado esse projeto ainda mais. “Profissionalmente, realizei sozinho, mas humanamente, cada gincaneiro que abriu as portas de casa e o coração para contribuir com esse movimento, tem minha mais sincera gratidão! Viva a Gincana!”, completa.
O documentário está disponível no youtube pelo endereço:
https://www.youtube.com/watch?v=H9Y_QX5QSc0

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar