O REBOCO E AS CASAS ALEMOAS

Os primeiros grupos de imigrantes de origem alemã chegaram à região de Lima Duarte por volta de 1870. Das muitas contribuições que trouxeram à sociedade de Lima Duarte, a que mais impactou foi a adoção de novas técnicas construtivas.
As construções de Lima Duarte e região eram, na época, todas feitas com madeira e barro. Assim foram erguidos os prédios da Matriz de N.S. das Dores, o paço da Câmara Municipal e todos os famosos casarões do Largo, habitados pelos cidadãos mais abastados.
Coube aos imigrantes alemães erguerem na cidade os primeiros prédios com alvenaria de tijolos, sendo o primeiro deles a própria residência de Carlos Frederico Baumgratz, imigrante alemão naturalizado brasileiro, erguida em 1872. Este, em seguida, comandou a construção da Igreja do Rosário, benta em 1886, com tijolos aparentes. Na escala de prédios significativos na paisagem da cidade, em 1891 é inaugurada a nova Matriz, também em alvenaria de tijolos aparentes, construção comandada pelo também imigrante alemão Luiz Klotz, benta em 20 de junho de 1891.
A partir destes edificios uma onda de reconstrução percorreu toda a região, com remodelação em tijolos de quase todos os casarões da sede municipal e igrejas da região. Em alvenaria de tijolos foram erguidas, dentre outras, em São Domingos da Bocaina, a Igreja Matriz em 1908 e a capela do Rosário em 1910; em Ibitipoca, a capela do Rosário em 1918. Em 1891, a Ermida de São Joaquim dos Almeidas, em Manejo. Ainda preservam a alvenaria de tijolos aparentes a capela de São Sebastiao do Quintilianos e a Matriz de N.S. de Lourdes de Pedro Teixeira. Fazendas em alvenaria de tijolos aparentes se espalharam pela zona rural, algumas delas ainda de pé e na configuração original.
Na memória popular, essas casas eram chamadas de casas alemoas, (alemãs), demonstrando claramente o reconhecimento do protagonismo imigrante alemão na implantação dessas novas técnicas por aqui.
Curiosamente, por volta de 1937, as casas alemoas, começaram a ser rebocadas, às vezes apenas nas fachadas. O mesmo fato verifica-se na Matriz de N.S. das Dores, rebocada totalmente na reforma de 1939, e na Matriz de São Domingos da Bocaina. A Igreja do Rosário da cidade seria rebocada mais tarde, na reforma de 1952-1955.
A partir de 1937, o governo Vargas iniciou uma Campanha de Nacionalização que, de certa forma, buscava eliminar toda forma de expressão imigrante na sociedade brasileira, forçando uma espécie de “nacionalização”. Essas ações se intensificaram após 1939, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Vargas, para dissimular sua tirania ditatorial, investiu no discurso do nacionalismo e soberania, baixando leis e decretos.
Casas de Imigrantes sofreram ataques em todo o país. Em muitos lugares do Sul do Brasil, o ato de rebocar fachadas de enxaimel e tijolos aparentes, foi utilizado como forma de protesto contra os italianos e alemães ou forma de adesão às políticas nacionalistas de Vargas.
Teriam sido os rebocos de Lima Duarte motivados pela Campanha de Vargas? Ou apenas coincidência?
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