SAÚDE ANIMAL

DOENÇA DO CARRAPATO: UM RISCO SILENCIOSO PARA OS CÃES

A chamada “doença do carrapato” é um termo popular utilizado para descrever principalmente duas enfermidades que acometem os cães: a Erliquiose e a Babesiose, ambas transmitidas pela picada do carrapato, especialmente pelo carrapato-marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus) podendo se manifestar de forma aguda, subclínica ou crônica.
Essas doenças são frequentes em nossa região e merecem atenção redobrada, pois podem evoluir de forma silenciosa e se tornarem graves quando não diagnosticadas precocemente. Os sintomas são vastamente variados, podendo apresentar uma simples febre a letargia, anemia, manchas na pele, sangramentos, alterações oculares, neurológicas, até óbitos.
Como ocorre a transmissão?
O carrapato se alimenta do sangue do animal. Se estiver contaminado, transmite o microrganismo durante a picada, inoculando o patógeno na corrente sanguínea. O risco da inoculação ocorre de acordo com o tempo que o parasita fica sobre a pele, necessariamente algumas horas. Ambientes com mato alto, quintais úmidos e presença constante de animais favorecem a proliferação do parasita.
Os animais também podem ser infectados por meio da transfusão de sangue contaminado.
Importante lembrar que o carrapato não vive apenas no animal — ele permanece grande parte do tempo no ambiente.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é muito complicado, exigindo uma abordagem complexa, associando exames clínicos e laboratoriais simples e específicos como hemograma, avaliação da função renal, sorologia (ELISA), diagnóstico molecular PCR…
O tratamento envolve o uso de antibióticos e medicamentos de suporte. Fundamental que seja direcionado por um profissional médico-veterinário, que levará em consideração as fases da patologia e o estado clínico e imunológico do paciente em questão. Quanto mais precoce for iniciado, maiores são as chances de recuperação.
Como prevenir?
A prevenção é a melhor forma de proteção. É crucial que os responsáveis estejam atentos a qualquer mudança de comportamento dos pets e prossigam ao longo da vida dos seus amiguinhos com acompanhamento regular veterinário, visto que a detecção de doenças de forma precoce é primordial para o sucesso de qualquer tratamento. O aumento do número de animais protegidos reduz significativamente a circulação de carrapatos circulantes na população, restringindo a disseminação das doenças transmitidas pelo carrapato.
Algumas medidas como as descritas abaixo podem auxiliar no controle:
Uso regular de antiparasitários (coleiras, comprimidos ou pipetas);
Higienização frequente do ambiente;
Manutenção de quintais limpos, com grama baixa;
Avaliação veterinária periódica.
É importante focar no ponto de que mesmo fazendo uso constante de medicamentos antiparasitários, precisamos lembrar que nenhum método é 100% eficaz contra a transmissão da doença transmitida pelo carrapato. Os produtos que se encontram hoje à disposição no mercado consumidor só eliminam o carrapato após esse picar o hospedeiro para se alimentar, ou seja, é preciso que o carrapato sugue o sangue carreado com a medicação para ser afetado. Outro fator importante sobre os antiparasitários é o fato de que os produtos tópicos diferentemente do que muitos crêem, também não impedem o parasita de picar o animal. Esses dados, relacionados ao ciclo alimentar complexo dos parasitas e a necessidade de um tempo especifico para que ocorra a transmissão da doença do parasita para o hospedeiro, mostram que há uma janela de tempo em que a transmissão acontece mesmo supostamente protegidos.
Outro fator importante a ser considerado é a viabilidade da adoção de animais filhotes já infectados. Apesar de filhotes e apresentarem-se visivelmente bem de saúde, a infecção pode ter ocorrido na ninhada ou com contato precoce com carrapatos. Lembrando que a doença pode manter-se latente (dormente) no organismo e só se manifestar após situação de estresse, imunidade baixa, ou apresentar outras doenças que reativam a infecção e estimulam os sintomas. A doença transmitida pelo carrapato pode apresentar-se na fase subclínica onde o paciente contaminado não apresenta a manifestação clínica, ou seja, não se apresenta doente por semanas, meses e até por anos. Detalhes estes que determinam a importância do acompanhamento médico- veterinário regular.
A doença do carrapato tem tratamento, mas pode deixar sequelas quando não tratada a tempo. Por isso, qualquer mudança no comportamento do seu pet não deixe de conduzi-lo a uma avaliação do médico-veterinário.
Cuidar da prevenção é um ato de amor e responsabilidade.

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