O TREM, O GUARDA-PÓ E LADISLAU.

A longa existência da ferrovia em Lima Duarte, de 1925 a 1968, criou muitos fatos e personagens que passaram a fazer parte do anedotário local, por suas peculiaridades.
A viagem de trem de Lima Duarte a Juiz de Fora se fazia em carros de primeira e segunda classe. A diferença entre a primeira e a segunda classe era basicamente relacionada à qualidade dos assentos, que na primeira classe eram poltrona de couro, com possibilidade de inclinação de até 180 graus. Na segunda classe os bancos eram de madeira e fixos, sem possibilidade de inclinação. Na primeira classe havia água nas torneiras, o que não existia na segunda classe. Os banheiros eram simples e lançavam os dejetos na própria via férrea.
A tração a vapor, que vigorou de 1925 a 1962, produzia junto ao vapor d’água e a fumaça da queima da lenha, as famosas fagulhas e fuligens, que expelidas pela chaminé, vinham em direção aos cabelos e olhos. A solução era fechar as amplas janelas e proteger as roupas de sair com chapéus e os longos guarda-pós, muitos deles bordados com os nomes ou iniciais de seus proprietários.
Os trens trafegavam em velocidade baixa, menos de 40 km/h, que era ainda mais reduzida nas proximidades das estações, para as paradas e manobras de embarque e desembarque de passageiros e cargas, sem falar do trem leiteiro, que parava em todas as estações para embarque e desembarque da produção de leite, de Lima Duarte para o Rio de Janeiro. A viagem até Benfica, em tempo de normalidade, não se fazia em menos de 3 horas!!! Lá a composição muitas vezes parava e ficava aguardando a passagem do trem de minério de ferro, que naquela época, descia pela Linha do Centro, da região de Congonhas, aos portos do estado do Rio de Janeiro. Por conta da ausência de cercas marginais, era muito comum a parada da composição por conta da presença de gado na via férrea, ou mesmo algum animal que era colhido pela locomotiva, principalmente à noite.
No último vagão havia uma placa com as cores verde e vermelha – uma de cada lado. A cor verde indicava ao maquinista que a partida da composição estava liberada, com o término das operações de embarque e desembarque. A de cor vermelha, por outro lado, indicava que as operações ainda não haviam sido completadas e que o trem ainda deveria aguardar. Era muito comum as pessoas descerem e aproveitarem para comer e beber uma pinguinha, um deles levando a placa verde consigo, de modo a não ser deixado pra trás.
Nas lembranças daqueles que eram jovens naquela época e se deslocavam com frequência entre Lima Duarte x Juiz de Fora , sobressai a lendária figura do cobrador Ladislau. Funcionário da Central, cabia-lhe cobrar os bilhetes dos que embarcavam durante o trajeto. Apaixonado jogador de porrinha e muito lento e distraído, Ladislau logo se enturmava com os jovens, distraindo-se de suas funções. A turma aproveitava a confusão criada pelo trem sempre lotado, a distração de Ladislau, mudava da segunda para a primeira classe, revesando até chegar a Benfica, sem pagar a passagem. Quando perguntados se já tinham bilhete, respondiam na cara de pau: _Sim, o senhor já os picotou! Estamos na primeira classe! A presença de Ladislau era sempre festejada na equipagem do trem! Por isso, ao avistá-lo, os jovens em coro cantavam: _Ladislau, Ladislau, é o melhor e não faz mal!…
Em Penido e Orvalho a locomotiva se abastecia de água e lenha. A pausa, obrigatória era aproveitada para comer um salgado ou tomar um trago. Um boteco aguardava os sedentos, bem pertinho da estação. A bandeira verde, levada escondida, para desespero de Ladislau, garantia sossego na hora do lanchinho e do trago.
Agradecemos a colaboração de Evandro Fontes e Pedro Senra Grossi, que com suas lembranças, ajudaram a trazer viva a memória do querido Ladislau.

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